segunda-feira, 16 de junho de 2014

Um Portugal atrasado, irritado, mas optimista para jogo com Alemanha

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Foto de, jornal A Bola
Tiago Pimentel - Público

A participação de Portugal no Mundial 2014 arranca frente à Alemanha. A selecção inicia a oitava participação consecutiva numa fase final de grandes competições mas Paulo Bento jogou à defesa e avisou a equipa que vai ser preciso sofrer.

A selecção portuguesa deixou três impressões fortes na véspera do duelo com a Alemanha, da primeira jornada do Grupo G do Mundial 2014: a primeira foi de falta de pontualidade, a segunda de irritabilidade e a terceira de optimismo. O treino da equipa nacional no Arena Fonte Nova começou com mais de 20 minutos de atraso, a que se somou depois uma espera superior a uma hora pela conferência de imprensa de Paulo Bento e Cristiano Ronaldo.

Na hora de falar aos jornalistas, o técnico não escondeu a irritação com o que terão sido fugas de informação durante o estágio que Portugal realizou nos EUA. A nota positiva chegou pela voz do capitão da selecção, que confessou sentir que “este ano vai ser o ano de Portugal”. Um pressentimento para conferir nesta segunda-feira (17h, RTP1).

Portugal inicia a oitava participação consecutiva numa fase final de grandes competições frente à Alemanha, selecção com a qual já se cruzou no Mundial 2006, Euro 2008 e Euro 2012 – sempre com o mesmo resultado: derrota. “O normal, contra uma equipa como a Alemanha, é que em algumas fases do jogo passemos por momentos em que é preciso sofrer e ser mais solidário. É importante não perdermos o controlo emocional”, sublinhou Paulo Bento.

Mas estas palavras do seleccionador nacional foram um caso de “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”. O técnico não escondeu a irritação quando as perguntas foram sobre a equipa que alinhará de início ou qual a opção para o centro do ataque. “Decidirei a equipa ainda hoje, mas se quiserem sabê-la é melhor comprarem um [jornal] generalista. Sabem de certeza, até antes dos jogadores”, atirou Paulo Bento, referindo-se particularmente ao jogo que Portugal fez nos EUA com a República da Irlanda.

Mais calmo, o técnico discordou que a presença de Cristiano Ronaldo na equipa aumente as aspirações da selecção portuguesa ao título: “Não é por termos o melhor do mundo que temos de ser campeões do mundo. A pressão que colocamos a nós próprios já nos chega: queremos atingir os oitavos-de-final e depois competir da melhor maneira com as outras equipas”. E criticou o horário do jogo, marcado para as 13h em Salvador. “Acho que já se podia ter aprendido com o Mundial 1994 nos EUA. É um prejuízo fazer jogos nestes horários e com temperaturas muito elevadas”, frisou.

“Onda positiva”

Num registo diferente, Cristiano Ronaldo confessou estar muitíssimo confiante para este Mundial. O internacional português esteve no centro das atenções e garantiu que os problemas físicos que marcaram o final de temporada ao serviço do Real Madrid já estão ultrapassados, embora tenha admitido que sempre sentiu dores: “Desde que jogo futebol que não há um jogo em que não tenha dores. São ossos do ofício. Estou preparado, estou bem e com muita vontade de fazer um bom Mundial”. Mas acrescentou: “Se sentir um problema durante o jogo serei o primeiro a dizer. Não vou colocar em risco a minha condição física e a minha carreira”.

“Sinto uma onda positiva à volta da selecção de Portugal. Sinto que as coisas vão correr bem. Amanhã [hoje] vamos entrar com o pé direito”, revelou Cristiano Ronaldo, que desvalorizou o saldo negativo da selecção portuguesa com a Alemanha (a última vitória foi há 14 anos e num histórico de 20 encontros metade acabou em derrota). “O Real Madrid também não ganhava ao Bayern Munique há muitos anos e isso mudou. Este ano vai ser o ano de Portugal. Estou convicto que amanhã será a mudança”, disse.

Apesar de ser o detentor do prémio de melhor do mundo, Cristiano Ronaldo minimizou a importância do papel que desempenha na selecção: “Um jogador não faz uma equipa. Estou na selecção para ajudar, sou mais um jogador. Posso fazer a diferença em muitos jogos, mas não carrego a equipa às costas”. “Vamos jogar contra um dos favoritos a ganhar o Mundial, que respeitamos bastante, mas temos as nossas armas. Não estamos no lote das [equipas] favoritas, o que é bom para nós. A Alemanha é muito forte, mas dentro de campo não temos de ter respeito a ninguém”, notou ainda o internacional português.

Nas cinco anteriores participações em Mundiais, Portugal obteve três vitórias, um empate e uma derrota (em 2002) no jogo de estreia. A próxima etapa joga-se em Salvador.
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