sábado, 19 de julho de 2014

Adesão da Guiné Equatorial permite influenciar país - Ramos-Horta

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Díli, 19 jul (Lusa) - O antigo Presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta afirmou hoje concordar com a adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e considerou "absurdo" ver a entrada do país com base no interesse económico.

"Eu concordo com a adesão da Guiné Equatorial pelo facto de acreditar que pela inclusão da Guiné Equatorial temos mais chances de influenciar as transformações que são necessárias e que vão acontecer", afirmou em entrevista à agência Lusa o também Prémio Nobel da Paz.

Timor-Leste assume pela primeira vez a presidência da CPLP durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo dedicada ao tema "CPLP e a Globalização", que se vai realizar no dia 23 em Díli, e que deverá ficar marcada pela entrada da Guiné Equatorial e pelo regresso da Guiné-Bissau, após suspensão decretada na sequência do golpe de Estado de 2012.

A entrada da Guiné Equatorial, liderada por Teodoro Obiang desde 1979, tem sido fortemente contestada por várias organizações da sociedade civil, que acusam o governo de vários atentados aos direitos humanos e à liberdade no país.

"Não há regime hoje em África ou em qualquer lado do mundo que possa estar imune às exigências e expetativas do seu povo. O que a CPLP pode fazer ao permitir a adesão da Guiné Equatorial é discretamente, mas ativamente e firmemente trabalhar com o regime no sentido de abertura incremental.

Primeiro acabar com a pena de morto. Segundo acabar com prisões arbitrárias e tortura e a pouco e pouco permitir liberdade de expresão e democracia multipartidária", afirmou José Ramos-Horta.
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Segundo o antigo Presidente timorense, aquilo foi o que aconteceu com a Birmânia quando aderiu à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

"O que prevaleceu na ASEAN, apesar da oposição das Filipinas, foi trazer a Birmânia para dentro da organização como a melhor forma de encorajar a evolução política do país", salientou.

"Eu aplico o mesmo regime à Guiné Equatorial acredito que é possível. Temos de ouvir sempre os nossos amigos, aconselharmo-nos junto deles, trabalhar com eles, para permitir ao único país de língua espanhola no continente africano aderir à CPLP. Até porque a Guiné Equatorial tem história com os países da CPLP", afirmou.

Para José Ramos-Horta é "absurdo" associar a entrada na Guiné Equatorial a razões de interesse económico.

"O que eu rejeito é quando se diz que é por razões económicas. A produção petrolífera na Guiné Equatorial é mínima quando se compara com o gigante que é Angola, com o potencial de Moçambique. Não é a Guiné Equatorial que vai transformar as nossas economias quando temos uma Angola e Moçambique. É um bocado absurdo vermos a adesão por um lado de interesse económico", sublinhou.

O antigo Presidente timorense regressou a Timor-Leste no passado mês de junho depois de ter estado 18 meses na Guiné-Bissau a representar o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, na Missão Integrada das Nações Unidas para a Guiné-Bissau.

MSE // PJA
Lusa/Fim
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