sexta-feira, 18 de julho de 2014

Queda nas receitas do petróleo e saída de Xanana põem Timor-Leste em risco - Instituto

.

Dili, 18 jul (Lusa) - A estabilidade política em Timor-Leste pode ficar ameaçada pelo previsível declínio nas receitas do petróleo e se o atual Presidente, Xanana Gusmão, deixar o poder no final do ano, avisa o Instituto de Análise Política dos Conflitos.

De acordo com este instituto, com sede em Jacarta, na Indonésia, uma das raízes da estabilidade política que se vive em Timor-Leste resulta da canalização das verbas do petróleo para pagar aos deslocados para voltarem para casa, comprar os desertores do Exército que fomentaram a violência em 2006, financiar as pensões para os veteranos da luta pela indendência e garantir contratos de construção aos potenciais opositores políticos.

"Entre os observadores há uma tese geralmente aceite que diz que comprar a paz não é uma maneira aconselhável de criar estabilidade num país, e isso é verdade, principalmente em termos de sustentabilidade", defende o vice-presidente do instituto (IPAC, na sigla em inglês), em declarações citadas no IRIN, um site gerido pelo departamento das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários.

Cillian Nolan acrescenta, no entanto, que "de alguma forma isto resultou bem, não só porque conseguiu-se manter a paz, mas também porque isto mostrou uma forte independência face à influência estrangeira, porque realmente era dinheiro timorense a ir para as mãos de timorenses".

Depois da independência, em 2002, o país passou por vários conflitos internos em 2006 devido a dissidências dentro do Exército, que deixaram 150 mil pessoas desalojadas, o que resultou numa internvenção militar internacional, mas desde então tem havido um período de relativa estabilidade política.
.
De acordo com uma análise do Banco Mundial, as raízes da violência de 2006 assentaram no "falhanço em corresponder às altas expetativas pós-independência, particularmente para os veteranos da luta pela independência, altas taxas de pobreza e uma favoritismo percecionado na atribuição de cargos".

Para o Grupo Internacional de Crise (ICG, na sigla em inglês), são três os pilares da estabilidade no pequeno país habitado por 1,1 milhões de habitantes: "a autoridade do primeiro-ministro, as reformas no setor da segurança, e o fluxo de receitas petrolíferas do Mar de Timor".

Dois dos alicerces que sustentam a estabilidade política estão, no entanto, em risco, a começar pelo petróleo, cujas receitas vão começar a diminuir: "Timor-Leste tem cerca de sete anos até que a riqueza petrolífera desapareça", vaticina o investigador Charles Scheiner, do instituto de análise política timorense Lao Hamutuk.

Este instituto calcula que 90% das receitas estatais de Timor-Leste resultam do petróleo e gás. O Fundo Petrolífero detém cerca de 16 mil milhões de dólares, mas em 2025 estará vazio.

Por outro lado, a saída de Xanana, segundo os mesmos investigadores, criará o problema de como lidar com a previsível agitação social e política sem a liderança única do histórico resistente timorense.

MBA // PJA
Lusa/Fim
.

Sem comentários:

Publicar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.