sábado, 8 de novembro de 2014

Oficial da PSP expulso de Timor acusa Xanana de corrupção

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José Brito estava na Comissão Anti-Corrupção há quatro anos
Micael Pereira e Rui Gustavo - 08 de novembro de 2014 - Expresso online para assinantes

Oficial da PSP expulso acusa o primeiro-ministro de ter impedido investigações e quer enfrentá-lo em tribunal.

"Fui expulso porque o meu trabalho estava a incomodar, mais nada". José Brito é o único dos portugueses obrigados a deixar Timor que não voltou a Portugal. É polícia e estava no gabinete Anti-Corrupção do governo. A conversa do Expresso é feita a partir de Banguecoque, onde está com a mulher desde quinta-feira. Saiu de Timor sem hesitações e não pensa voltar tão cedo.

"Fui avisado por um ex-colega da PSP que trabalha com os americanos de que era para me ir embora, mas não recebi qualquer notificação oficial. E fui ameaçado, claro, por capangas do Xanana, muitos deles polícias que treinei e com quem tinha uma boa relação pessoal e profissional."

Para este polícia, "a corrupção em Timor é endémica. Desde os mais variados serviços do Estado, como a polícia ou a construção, até ao topo do governo. "Xanana? Não tenho dúvidas de que está envolvido em casos de corrupção. E tenho provas." As provas, diz, estão em Portugal. "Enviei-as num contentor e desafio publicamente Xanana Gusmão para nos defrontarmos num tribunal arbitral fora de Timor para ver se estou errado. Já sei que vai dizer que não."

O Expresso enviou um conjunto de perguntas ao gabinete do primeiro-ministro mas até à hora do fecho desta edição não houve resposta.

José Brito chegou a Timor em março de 2009, integrado numa missão da ONU. É subcomissário da PSP do Porto e desde 2010 que está na Comissão Anti-Corrupção do governo, um organismo financiado pela ONU e pela administração americana. Atualmente era conselheiro estratégico, mas já andou no terreno, em investigações a casos de corrupção. Nestes cinco anos, viu o suficiente "para escrever vários livros".

O nome deste polícia surge no fim da lista de portugueses expulsos publicada pelo governo de Timor no "Jornal da República". É o único não magistrado que teve ordem de expulsão e era o que estava no território há mais tempo. Cinco anos e meio. "Oiça: a comissão esteve presente em todas as situações suspeitas. No caso da ex-ministra da Justiça, Lúcia Lobato, e no processo da atual ministra das Finanças, Emília Pires, e do irmão, por exemplo. Ou no do presidente do Parlamento. Em tudo."

Esteve uma vez com Xanana Gusmão. Por causa de um caso concreto. "Estava com um colega da ONU. Acusei-o de se estar a meter numa investigação relacionada com a importação de arroz e de estar a tomar decisões ilegais.

E agora acusa-o de corrupção. Porquê? "Porque o sistema está de tal maneira corrupto que tudo dá em desastre, as obras não têm qualidade, os projetos são maus, usam e abusam da emergência para fazer ajustes diretos."

José Brito garante que denunciou casos que "não foram investigados", como os apartamentos em Lisboa que terão sido oferecidos a Xanana Gusmão e a Lúcia Lobato, a ex-ministra da Justiça condenada a cinco anos de prisão.

"Há vários casos com Xanana. Como os contratos do arroz com a filha e os negócioa do combustível com o sobrinho. E agora tem-se redobrado em esforços no sentido de começar a explorar o negócio do petróleo com um consórcio que seja liderado por ele ou pelos amigos."
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