segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Membros da Fretilin participam no próximo Governo, mas de forma individual - Mari Alkatiri

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Díli, 26 fev (Lusa) - Membros da Fretilin podem participar no próximo Governo timorense, no âmbito da remodelação prevista para fevereiro, mas de forma individual, como "elementos válidos" que podem contribuir para corrigir distorções, disse à agência Lusa Mari Alkatiri.

Questionado sobre se houve já convites a membros do partido, o líder do maior partido da oposição timorense disse que os convites "são a pessoas da Fretilin e não à Fretilin".

"Essa é a nossa contribuição. Exigir que o primeiro-ministro faça remodelação dentro do bloco (dos partidos que apoiam o Governo) é impossível porque dentro do bloco o PM já encontrou os melhores", afirmou.

"Não podemos dizer que tem que fazer remodelação, reduzir o governo e depois dizer que nós continuamos fora. A Fretilin continua fora, mas (...) não podemos bloquear essa possibilidade de elementos válidos da Fretilin participarem", disse ainda.

Trata-se, afirmou Alkatiri, de "elementos válidos, que são timorenses, que podem dar uma contribuição nos próximos dois anos e meio para corrigir algumas distorções (...) económicas e políticas" que considera terem ocorrido no Governo e na administração pública.

"Agora a Fretilin vai continuar a colaborar, mas de uma forma muito critica", afirmou.

Escusando-se a tecer comentários sobre o detalhe da remodelação, cujos contornos cabem ao primeiro-ministro Xanana Gusmão definir, Mari Alkatiri insistiu que o Governo é "pesado" com demasiados Ministérios e Secretarias de Estado e pouca coordenação.

"Mas não apenas o Governo. A própria administração pública ficou distorcida, com muitos diretores nacionais, muitos diretores gerais, e até diretores nacionais que são diretores de si próprios, mais a sua secretária", disse.

"Isto é ridículo e é mesmo só distribuição de cadeiras. São vários partidos, cada partido tem um compromisso com os seus membros e trás os seus membros para dentro da administração pública", afirmou.
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Isso deixa a administração pública "complemente ineficaz, criando conflitos internos" e sem "vida institucional que obrigue á coordenação", tendo-se perdido "o bem comum" e "confundido o bem comum com o bem pessoal".

Recorde-se que Xanana Gusmão anunciou que até 18 de fevereiro levará a cabo uma remodelação do seu executivo.

Nas últimas semanas têm circulado vários rumores sobre a natureza e dimensão das mudanças que serão levadas a cabo.

O Governo timorense integra atualmente membros dos três partidos da coligação de Governo, o CNRT (30 deputados), o PD (8 deputados) e a Frente Mudança (dois deputados).

ASP // JCS
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