sábado, 17 de janeiro de 2015

TIMOR LESTE TERÁ UM FUTURO PROMISSOR, “SEM XANANA”

 
Ted McDonnell


Plataforma Macau - Luís Andrade de Sá

Veterano na cobertura jornalística de Timor-Leste, o australiano Ted McDonnell tem denunciado insistentemente a alegada corrupção no jovem país. 

E Xanana Gusmão, o herói da resistência aos indonésios, é um dos alvos deste jornalista, que passou pelas agências AFP e AAP, pelos jornais australianos The Australian, The Age e Sunday Telegraph e que é atualmente representado pela agência italiana de fotografias NurPhoto.

PLATAFORMA MACAU - Como é que a corrupção afeta a construção de um Estado democrático em Timor-Leste? 

TED MCDONNELL – A corrupção erode a confiança na sociedade. A corrupção em Timor-Leste tem sido predominante na última metade da década, pelo menos. A elite política tornou-se incrivelmente próspera, enquanto a maioria dos 1.1 milhões de timorenses vive com menos de um dólar por dia. Por isso, a má-nutrição, pobreza, a inexistência de um sistema de saúde afetam  as famílias timorenses enquanto a elite política vive como monarcas.

P.M. – Recentemente, descreveu Xanana Gusmão como uma espécie de “padrinho” no processo de corrupção em Timor-Leste. Como chegou a  essa conclusão?

T.M. – A meu ver e no de muitos timorenses, Gusmão passou de combatente pela liberdade a homem de muitas contradições. Ele ofereceu ao seu sobrinho centenas de milhões [de dólares] em contratos de petróleo. A sua filha, de um primeiro casamento [obteve] uma míriade de contratos e assegurou-se que a restante família esteja muito confortável. Ele também deu algums passos para proteger corrupção e nepotismo no seu governo. Emília Pires, a sua escolha pessoal para ministra das Finanças, foi indiciada de corrupção. No entanto, ela ainda não viu o interior de um tribunal porque Gusmão intimidou o governo e outros parlamentares sem poder para expulsar os conselheiros estrangeiros do sistema judicial e anti-corrupção. Expulsando-os, ele colocou mais uma vez um escudo em torno daqueles que no governo, incluindo Emília Pires, estiveram envolvidos em alegada corrupção. Pior, de cada vez que alguém levanta a questão da corrupção, Gusmão intimida e ameaça. Tornou-se num déspota.

P.M. – Quais os fatores que conduziram a esta situação?

T.M. – Os negócios em Timor estão afundados em luvas e acordos corruptos, no que é uma infeliz herança dos tempos da ocupação indonésia. É uma das razões pela qual muitos empresários australianos e estrangeiros não ponderam fazer negócios em Timor-Leste por não estarem dispostos a pagar luvas a funcionários corruptos. É bom ver empresas, como a [cervejeira holandesa] Heineken a anunciarem a intenção de investirem em Timor-Leste, espero que o negócio resulte e que se torne num bom criador de empregos locais.

P.M. – Há esperança num país sem corrupção?

T.M. – Há muita esperança para os timorenses e a principal razão reside no seu povo. Os timorenses sofreram demasiado mas são um povo feliz e sossegado. Eles têm que se livrar deste governo e do “ditador popular”. Uma vez Xanana fora e os elementos corruptos do seu governo tenham enfrentado os tribunais, Timor-Leste tem um futuro promissor. Além da corrupção, há ainda a chamada maldição dos recursos, que paira sobre Timor-Leste devido à má governação e a políticas desajustadas. As eleições de 2017 vão decidir o futuro de Timor-Leste e decidir o destino da maldição dos recursos. O ato vai decidir se Timor-Leste acabará num caso perdido à nascença, como Nauru.
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