segunda-feira, 6 de abril de 2015

Uma longa procissão no último adeus ao 'bispo dos jovens' em Díli

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Foto de, Gabinete do Primeiro-Ministro.
 Díli, 06 abr (Lusa) - Milhares de timorenses, de várias paróquias do país, juntaram-se hoje para o último adeus ao ex-bispo de Díli Alberto Ricardo da Silva, com flores coloridas, cânticos e orações, numa longa procissão até ao cemitério de Maloa, no sul da cidade.

Jovens, muitos com camisolas das suas paróquias ou com outras alusivas ao massacre de Santa Cruz, alinharam-se dos dois lados da estrada na viagem lenta e sob um sol abrasador de cerca de cinco quilómetros desde a Catedral de Díli, onde decorreu a missa fúnebre até ao cemitério.

As principais figuras de Estado, que já tinham acompanhado a missa, juntaram-se à longa procissão, com Xanana Gusmão, boné vermelho do Real Madrid na cabeça a entusiasmar os seus compatriotas: "cantem, cantem".

Dos dois lados bandeiras amarelas e brancas, com a foto do bispo, um terço e a frase "Adeus Amu Bispo" - Amu é Padre em tétum e é normalmente o termo de respeito usado para o clero. 

Alberto Ricardo da Silva, que morreu na quinta-feira no Hospital Nacional Guido Valadares em Díli, teve quase um funeral de Estado, com as homenagens a começarem na madrugada de Sexta-feira Santa, no velório na sua ex-residência.

Hoje é dia de luto nacional - as bandeiras estão a meia haste até ao por do sol - e as principais figuras do Estado participaram no velório formal, domingo e na missa de hoje, celebrada por - Basílio do Nascimento, bispo de Baucau e administrador apostólico de Díli, Norberto Amaral, bispo de Maliana e Eugene Hurley, bispo de Darwin.
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Foto de, Gabinete do Primeiro-Ministro
."Todo o ser humano é um sopro", disse Basílio do Nascimento na homilia em que recordou "a força de vontade" e a "força de caráter" do prelado, referindo a dedicação que Alberto Ricardo da Silva - "poeta, escritor, místico e desportista" - sempre deu a Timor-Leste e aos timorenses.

Talvez em sintonia com a fotografia sorridente do bispo, colocada à esquerda do caixão, tanto Basílio do Nascimento como Xanana Gusmão - o ex-presidente e ex-primeiro-ministro falou em nome da sociedade civil - fizeram, por várias vezes, rir os milhares de presentes.

Histórias da juventude do ex-bispo de Díli e, acima de tudo, um momento aproveitado por Xanana Gusmão para recordar o papel da Igreja timorense na libertação do país e, em concreto, o do falecido bispo na defesa dos ideais da independência.

Perante quase 200 padres, todos destacaram em particular o seu apoio aos jovens, nomeadamente antes e depois do massacre de Santa Cruz em 12 de novembro de 1991, quando era vigário geral da diocese de Díli. 

O prelado ignorou as ameaças das autoridades indonésias, aceitou celebrar missa em nome de Sebastião Rangel, um jovem cuja morte precedeu a manifestação que culminou com o massacre.

Um dos momentos altos das exéquias a Alberto Ricardo da Silva foi já no final quando o chefe de Estado, Taur Matan Ruak, condecorou postumamente o ex-bispo de Díli, pelo seu serviço à nação, atribuindo-lhe a Ordem de Nicolau Lobato, tal como tinha solicitado o Governo.

Antes, num discurso que encerrou a missa fúnebre, Taur Matan Ruak recordou Alberto Ricardo da Silva como um homem pautado pela "dedicação, responsabilidade e serviço à nação", sempre presente "com coragem, nos momentos mais difíceis" da história do território.

Sempre ao lado do povo, disse, mostrando "grande capacidade organizadora e mobilizadora" ficando como "um exemplo de coerência, de confiança e de trabalho" e uma "marca de esperança no futuro".

ASP // JPS
Lusa/Fim
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