terça-feira, 5 de maio de 2015

Organização timorense alerta para violência entre grupos rivais de artes marciais

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Díli, 05 mai (Lusa) - Uma organização timorense alertou hoje os residentes de algumas zonas do centro de Díli para estarem conscientes do risco de possíveis confrontos entre dois grupos rivais de artes marciais, que começaram no fim-de-semana passado.

Num alerta de segurança divulgado hoje a Fundação Mahein (FM) explica que durante o fim-de-sema se verificaram confrontos de rua entre elementos de dois dos maiores grupos de artes marciais de Timor-Leste, ambos ilegalizados, a PSHT e a Kera Sakti.

"A FM alerta da possibilidade de mais confrontos nas ruas entre grupos rivais nas zonas do Farol, Aimutin e Bebonuk, porque a PNTL ainda não controlou a situação", explica o comunicado.

"Todos os cidadãos timorenses e estrangeiros devem estar atentos ao potencial de violências nestas zonas, especialmente durante a noite e devem tomar as medidas necessárias para garantir a sua segurança pessoal", refere.

Fonte da PNTL disse à Lusa que as autoridades estão a acompanhar a situação e a "tomar as medidas necessárias".

Segundo a FM a recente onda de confrontos estará relacionada com um vídeo procedente da Irlanda que mostra confrontos entre elementos dos dois grupos durante os quais um dos jovens é violentamente espancado.

"Tudo indica que os confrontos em Díli começaram como vingança por membros do mesmo grupo do homem que foi espancado", explica a FM.

Recorde-se que milhares de jovens timorenses imigraram para a Irlanda à procura de trabalho nos últimos anos.

Nos últimos meses o Governo timorense tem feitos esforços no intuito de controlar a atuação de membros dos grupos de artes marciais, alguns dos quais agentes da própria PNTL e das forças de defesa (FDTL).

Este é um problema recorrente em Timor-Leste e já em 2002 e 2003 as organizações de artes marciais viram-se envolvidas em incidentes idênticos, com conflitos e rivalidades antigas.

A situação chegou a tal ponto no final de 2014 que, em janeiro, o então primeiro-ministro Xanana Gusmão presidiu a uma cerimónia em que cerca de 290 elementos da polícia (PNTL) e forças armadas timorenses (F-FDTL) que participaram em grupos de artes marciais renovaram o seu juramento.

Fundada em Java Oriental, na Indonésia, em 1922, a PSHT tem atualmente mais de um milhão de membros naquele país, bem como elementos na Malásia, Singapura, Holanda, França e Portugal, entre outros.

Em Timor-Leste, onde a PSHT chegou em 1983, a organização tem cerca de 3.500 "gurus", os instrutores mais graduados, com mais de 30 mil membros em todo o país.

Estima-se que a Kera Sakti tenham também vários milhares de membros.

ASP // DM.

Lusa/Fim
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