segunda-feira, 17 de agosto de 2015

L7: Veteranos a governarem há sempre derramamento de sangue

Mauk Moruk

Matadalan - Tradução de Timor Hau Nian Doben

Cornélio Gama, mais conhecido como L7 e irmão mais velho do falecido Paulino Gama (Mauk Moruk) disse que quando os veteranos ou os guerrilheiros governam há sempre derramamento de sangue. Ele declarou que no primeiro mandato (2007-20012), quando o Kay Rala Xanana Gusmão governou aconteceu a crise de 2006, Ramos Horta, enquanto Ramos-Horta, premiado com o Nobel da Paz governou o sangue continuou a ser derramado. No terceiro mandato (2012-2017) encabeçado por Taur Matan Ruak o sangue foi também derramado.

L7 fez estas declarações numa conferencia de imprensa que foi realizada no domingo em Metiaut, Díli, antes de levar o corpo de Mauk Moruk e dos seus soldados para Laga, município de Baucau.

L7 afirmou que a guerra já acabou, porém, continua a haver derramamento de sangue. Isto significa que o sistema dos governantes é pior que a ditadura militar do Suharto. Ele disse que no passado no mato eles prometeram uns aos outros que quando a guerra acabar que não poderiam apontar armas uns aos outros, mas hoje é tudo ao contrário.

O veterano apelou a uma mudança do sistema de governação, para que deste modo não se façam sempre perseguições ao povo pobre, porque foi o povo quem os elegeu para governarem. Ele pediu ainda para se acabarem com as injustiças dentro do país. Se não houver justiça, o país não vai para a frente.

L7 mós dehan katak Dr. José Ramos Horta simu Nobel da Páz tanba Timor maibé la konsege rezolve timoroan sira nia problema. Tuir nia katak Ramos Horta de’it la konsege ona ukun ho di’ak, sé tan maka atu ukun di’ak liu.

O corpo de Mauk Moruk saiu de Metiaut para ir para Laga às 11:40 (ontem) e foi acompanhado pela mulher e os três filhos mais novos e ainda por milhares e milhares de pessoas de motas e carros. A rota da viagem foi: Metiaut, Bidau Mota Klaran, Bidau Akadiruhun, Bidau Toko Baru, Kuluhun, Becora no Fatuahi. Antes de levarem o defunto, a esposa e os três filhos abriram o caixão para ver a condição do morto. A família sentiu-se triste porque Mauk foi baleado de forma desumana. Não morreu como um timorense, ou um comandante da luta para a independência, morreu como se fosse um inimigo.

O cortejo fúnebre foi extremamente silencioso. Alguns familiares não conseguiram chegar à casa do defunto, eles ficaram em pé nos passeios da estrada para atirarem flores ao corpo do defunto, pessoas ficaram ao longo da estrada até ao terminal de Becora. O corpo vai para Laga e vai ser enterrado no dia 18 de agosto 2015 depois das cerimónias e rituais. L7 informou que depois de enterrarem Mauk Moruk e os seus soldados eles farão mais declarações detalhadas quanto à morte de Mauk Moruk. (Anibal) 
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