quarta-feira, 17 de maio de 2017

PR Taur Matan Ruak termina mandato mas deve candidatar-se a PM

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Díli, 17 mai (Lusa) - Taur Matan Ruak termina no próximo dia 20 o seu mandato como quarto Presidente da República timorense desde a restauração e um dia depois deverá ser aclamado como líder de um novo partido timorense, o PLP.

Guerrilheiro durante uma grande parte da sua vida, sindicalista, ex-chefe de Estado Maior General das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Taur Matan Ruak optou por não se recandidatar à Presidência preferindo tentar um lugar mais executivo.

Registado em dezembro de 2015, o Partido de Libertação do Povo (PLP) foi liderado interinamente por Adérito Soares, ex-comissário da Comissão Anti-Corrupção (CAC) e realiza agora o seu primeiro congresso.

Um encontro em que, a confirmarem-se as expectativas, Taur Matan Ruak pode vir a ser eleito líder, estreando a sua candidatura nas eleições parlamentares de 22 de julho.

A biografia de Ruak - que chefiou nos últimos anos da resistência os guerrilheiros das FALINTIL, o braço armado da resistência, está intimamente ligada à história de Timor-Leste.

José Maria de Vasconcelos de seu nome, Taur Matan Ruak como nome de guerra, nasceu a 10 de outubro de 1956 em Baguia, distrito de Baucau, mas viveu em Díli, onde frequentou a escola primária.

Aos 15 anos, de regresso a Baucau, trabalha na pousada da cidade mas 18 meses depois organiza no local a primeira greve, em reivindicação de melhores salários, melhor alimentação e melhores condições de trabalho. Acaba no Tribunal.

Dois anos depois, na capital timorense, desta vez empregado num hotel, organiza nova reivindicação, pelos mesmos motivos. Aguenta-se um ano no emprego e em 1974 organiza nova greve. Volta a Tribunal.

É neste processo reivindicativo que vive quando se dá o 25 de Abril de 1974. Ruak apoia a Fretilin e no ano seguinte, quando se dá a invasão indonésia, foge para as montanhas e junta-se ao recentemente formado exército das FALINTIL.

Participa como guerrilheiro em batalhas contra o exército indonésio em locais como Díli, Aileu, Maubisse, Ossu, Venilale, Uatulari ou Laga e a pouco e pouco começa a assumir posições de chefia no grupo de guerrilheiros.

A sua primeira nomeação oficial foi feita após a reunião do Conselho Superior do Setor Centro-Leste, em Venilale, no final do ano de 1976.

Foi comandante de companhias e adjunto de comandantes de setor entre 1976 e 1979. Nesse ano, na sequência de sérios reveses nas forças de resistência, foi atribuída a Matan Ruak a tarefa de reagrupar as FALINTIL da região leste, tendo a incumbência também de localizar sobreviventes de uma companhia.

É nessa altura que, traído, é capturado pelos militares indonésios. Após 23 dias preso consegue fugir e junta-se de novo às FALINTIL, nas montanhas.

Em 1981 é um dos criadores do Conselho Nacional da Resistência Revolucionária (CRRN, antecessor do Conselho Nacional da Resistência Maubere/CNRM e Conselho Nacional da Resistência Timorense/CNRT) e torna-se adjunto do Estado-maior das FALINTIL, quando o Comandante em Chefe do movimento era Xanana Gusmão.

Com funções na ponta leste do país em 1983, nos três anos seguintes é transferido para o setor ocidental. Em 1986 chega a vice-chefe do Estado Maior e é por isso o responsável pelas operações militares em todo o território.

A captura de Xanana Gusmão lança-o para o cargo de chefe de Estado Maior das FALINTIL.

Após a captura do comandante Mau Huno, a 05 de abril de 1993, o comissário político Nino Konis Santana foi nomeado comandante das FALINTIL. Daitula foi capturado e assassinado pelos militares indonésios a 25 de junho de 1997 e a morte acidental de Konis Santana, menos de um ano mais tarde, a 11 de março de 1998, deixou a liderança mais uma vez abalada.

O comandante Taur Matan Ruak torna-se então o Comandante Operacional das FALINTIL.

A queda da ditadura de Suharto e a abertura da Indonésia levam à consulta de 30 de agosto de 1999, quando as FALINTIL são acantonadas sob a responsabilidade de Matan Ruak, o mesmo que impediu confrontos com as milícias, mesmo quando o território era praticamente destruído.

Xanana Gusmão retira-se das FALINTIL na data do 25.º Aniversário da criação da força, 20 de agosto de 2000, e Taur Matan Ruak é nomeado Comandante em Chefe.

Em fevereiro de 2001 a ONU nomeia o brigadeiro general para comandar a Força de Defesa de Timor-Leste (FDTL), cargo de que se demite, em setembro de 2011, para se candidatar à Presidência da República, cargo que assume a 20 de maio de 2012.

Um mandato em que fez história: conseguiu visitar, como tinha prometido, visitar cada um dos 442 sucos (freguesias) do país.

ASP // EL

Lusa/Fim
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